EDUARDO




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com Constance Pinheiro, Erica Storer, Gio Soifer, Isadora Mattiolli, Jéssica Luz e Maya Weishof

Produção Assistida é uma exposição sobre processos artísticos. O termo “processo” pode indicar uma variedade de significados quando usado no contexto da história da arte: da prática de ateliê à montagem de exposições. No cenário dessa mostra apresentada no Museu de Arte da UFPR, “processo” indica o desenvolvimento contínuo de pesquisas de artistas em um período de tempo – maio e junho de 2017, em um espaço específico – o MusA. A produção que deriva dessa investigação processual supõe ser “assistida”, na sua acepção de “colocar-se junto de”, ou seja, um convite para o compartilhamento de autorias entre artistas e público.

Quando fui convidada para esse projeto ele não tinha título, tema ou conceito curatorial. Todavia desde início ele tinha lugar: o MusA. Nas primeiras reuniões do grupo queríamos propor uma exposição a partir do que havia em comum nas nossas poéticas, o que se tornou contraprodutivo com o passar do tempo. Não encontramos nenhuma forma que incorporasse os diversos trabalhos em jogo, apesar das inúmeras sugestões de caminhos que vieram à tona.
Decidimos mais tarde pelo caminho das motivações desses trabalhos: para os problemas que nos colocamos enquanto artistas (e o por quê de nos colocarmos esses problemas), sugerindo assim uma perspectiva sobre o trabalho de arte como uma linha sem hierarquia entre a ideia inicial e sua respectiva manifestação no espaço expositivo. É o que está “entre” esses dois pontos que interessam e que nos colocam em um lugar comum no âmbito da prática artística.
O MusA foi a primeira certeza dessa iniciativa. Na proposta de “construir” uma exposição baseada em processos, não há a intenção de pensar esse lugar como um marco zero, um cubo branco que recebe objetos, materiais, pessoas, trocas. A ideia é pensar o museu como um ponto de partida para as ações que serão realizadas, a partir de sua história, localização, entornos e relação com a universidade.

Não é sobre o vazio, como pretendia a exposição de Yves Klein (1928 – 1962) na Galeria Iris Clert em Paris. Abrir uma exposição sem obras, sem etiquetas, sem mobiliário não é abrir uma exposição vazia – o próprio MusA é um espaço de infinitas possibilidades para preenchermos. No livro de assinaturas de “O vazio”, de Klein, Albert Camus (1913 – 1960) assinava: “Com o vazio. Poderes totais.”, endossando a crítica institucional que ali se delineava. O poder da crítica em Produção Assistida não se dá pela negação do espaço expositivo, mas por sua afirmação. Isadora Mattiolli

MusA 2017
CARDOSO AMATO